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Chimarrão com maconha? Conheça bebida terapêutica (e que não dá barato) compartilhada por Eduardo Suplicy em visita ao RS

Suplicy toma chimarrão com maconha no RS e relata melhora no sono 🧉 Uma cuia, uma bomba e uma mistura que une a mais forte tradição gaúcha a uma planta a...

Chimarrão com maconha? Conheça bebida terapêutica (e que não dá barato) compartilhada por Eduardo Suplicy em visita ao RS
Chimarrão com maconha? Conheça bebida terapêutica (e que não dá barato) compartilhada por Eduardo Suplicy em visita ao RS (Foto: Reprodução)

Suplicy toma chimarrão com maconha no RS e relata melhora no sono 🧉 Uma cuia, uma bomba e uma mistura que une a mais forte tradição gaúcha a uma planta ainda cercada de tabus. A imagem do deputado estadual de São Paulo Eduardo Suplicy (PT) com um chimarrão com maconha gerou curiosidade e também debate nas redes sociais. A associação por trás da iniciativa explicou o objetivo: usar um símbolo cultural para abrir o diálogo sobre o uso medicinal da cannabis. Ao g1, o político paulista detalhou a experiência. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp "Posso garantir que dormi muito bem", afirmou Suplicy. Aos 84 anos, ele esteve em Porto Alegre para receber o título de Cidadão e contou que a qualidade do sono é um pilar em sua rotina de cuidados lidando com a doença de Parkinson. "Na medida que eu tenho uma boa noite de sono, no dia seguinte eu estou muito melhor, andando com maior firmeza e me sentindo com mais energia para fazer o trabalho que felizmente ainda estou conseguindo fazer", explicou. A iniciativa partiu de David Thomazi, presidente da Associação Flor da Cura, da região das Missões. Ele preparou e ofereceu a bebida a Suplicy. 🔎 A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou em janeiro uma resolução com regras restritas que permitem que empresas e entidades façam o cultivo da cannabis medicinal no Brasil. O plantio não foi liberado para a população em geral, e a medida não trata do uso recreativo. "Não tive nenhum receio. O uso da maconha para fins terapêuticos é milenar", disse o deputado ao g1, comparando a união das plantas a um "uso contemporâneo de plantas que vêm auxiliando a humanidade desde tempos imemoriais". Eduardo Suplicy revela Parkinson e tratamento com cannabis Mas como é feito esse chimarrão? David Thomazi explica que não se trata de simplesmente adicionar a planta à erva-mate. O processo é técnico e pensado para fins terapêuticos. "A gente utilizou uma mistura com partes da planta — folhas, talos, raízes e flores — todas secas e trituradas, resultando numa textura parecida com a erva-mate", detalha. Segundo ele, o preparo não tem efeito psicoativo, mas visa proporcionar relaxamento e bem-estar. "A intenção é aliviar sintomas, melhorar a qualidade de vida e trazer mais conforto. Ao unir o chimarrão com a maconha, a gente cria uma ponte. Usa uma tradição respeitada pra quebrar preconceitos e abrir diálogo sobre uma terapia que ainda é tabu", afirma Thomazi. A Associação Flor da Cura, fundada em 2023, tem uma história que começa na família de seu presidente. Com sede no noroeste do estado, a entidade sem fins lucrativos atende hoje cerca de 150 pacientes. As precursoras foram a mãe e a avó de David. "A segunda paciente foi a minha avó, dona Julieta, hoje com 94 anos. Na época, ela havia sido diagnosticada com Alzheimer", conta. A melhora na família inspirou a criação da associação, que hoje auxilia pacientes com Parkinson, autismo, depressão, insônia e dor crônica. Cannabis medicinal: o que é o sistema endocanabinoide e como a planta age no corpo Debate sobre regulamentação Tanto Suplicy quanto Thomazi usam a visibilidade do episódio para aprofundar o debate. O deputado defende a necessidade de avançar na regulamentação, mas alerta para o que chama de "interesse escuso" de setores que querem monopolizar o mercado quando for legalizado. "É preciso ter mente aberta, serenidade e buscar informações de qualidade", aconselha. Thomazi lembra que, enquanto o debate sobre o uso medicinal avança em certos círculos, a realidade do tráfico e do que chama de "guerra às drogas" continua a vitimar pessoas, em sua maioria negras e periféricas. "Quem ocupa esse espaço hoje, inclusive no campo da maconha medicinal, precisa reconhecer isso e agir com responsabilidade social. Existe uma enorme dívida histórica", pontua o presidente da associação. "Enquanto hoje existe um movimento mais aceito, não podemos esquecer que houve, e ainda há, uma guerra muito violenta em torno dessa planta". No fim, segundo ele, o objetivo é defender o direito de escolha. "O que a gente defende é o direito das pessoas de escolherem o que é melhor pra sua saúde, com informação, segurança e dignidade — como deve ser". Suplicy toma chimarrão com maconha e relata melhora no sono Arquivo pessoal e Marcelo Brandt/g1 VÍDEOS: Tudo sobre o RS