cover
Tocando Agora:
A RÁDIO CIDADE . TOP - FELIZ 2026!!!

Convites, poemas e toque físico: veja detalhes das denúncias de assédio contra juiz do DF

João Luís Fischer Dias em imagem de arquivo. TJDFT/Reprodução O Ministério Público da União detalhou, em parecer ao qual o g1 e a TV Globo tiveram acesso...

Convites, poemas e toque físico: veja detalhes das denúncias de assédio contra juiz do DF
Convites, poemas e toque físico: veja detalhes das denúncias de assédio contra juiz do DF (Foto: Reprodução)

João Luís Fischer Dias em imagem de arquivo. TJDFT/Reprodução O Ministério Público da União detalhou, em parecer ao qual o g1 e a TV Globo tiveram acesso, episódios de assédio sexual e perseguição atribuídos ao juiz substituto de segundo grau João Luís Fischer Dias, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal. As principais denúncias são de duas servidoras que trabalharam no gabinete de Fischer Dias (saiba mais detalhes abaixo). Nesta terça-feira (3), o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) manteve a pena de aposentadoria compulsória ao juiz. Ele havia sido punido pelo Tribunal de Justiça do DF em 2023. A defesa do juiz alegou nulidades no procedimento, cerceamento de defesa e ausência de provas suficientes. O CNJ rejeitou os argumentos. ➡️Com a decisão, o magistrado continua recebendo o salário proporcional ao tempo de serviço, mas fica impedido de atuar na magistratura. ➡️A aposentadoria compulsória —imposição legal que obriga o trabalhador a afastar-se do posto de trabalho — é a pena disciplinar máxima prevista em lei para juízes. ➡️ Segundo a folha de pagamento do TJDFT, somente em 2026, o juiz recebeu quase R$ 216 mil (bruto) de aposentadoria. Com os descontos, o valor ficou em aproximadamente R$ 185 mil. Ao g1, a defesa de João Luís Fischer Dias disse que vai se manifestar somente após a divulgação da íntegra do voto pelo CNJ. Assédio sexual Segundo a denúncia, em agosto de 2022, o juiz disse que precisava conversar pessoalmente com uma servidora, que trabalha remotamente em outro Estado, sobre uma possível nomeação para um novo cargo. Dias depois, quando a servidora avisou que estava no gabinete, o magistrado sugeriu que os dois se encontrassem fora do tribunal, em um shopping de Brasília. Ela pediu que a reunião fosse no próprio gabinete. Segundo o processo, encontro ocorreu na sala privativa do juiz, com a porta fechada. Em depoimento, a servidora contou que, após falar sobre o cargo e a exigência de trabalho presencial, Dias Fischer pediu um abraço — neste momento, ainda de acordo com a vítima, ele a segurou pelas costas e tentou puxá-la e disse: “senta aqui no meu colo”. A mulher afirma que tentou se afastar. Disse que o juiz insistiu, segurou a mão dela, e quando finalmente a servidora conseguiu se soltar, ele a agarrou por trás. "Nessa hora, eu consegui gritar com ele. Eu falei assim: 'Para! Para com isso!' E saí. E apontei assim para a porta: "Vai na minha frente!"", contou a mulher em depoimento. Ao abrir a porta, segundo o depoimento, o juiz teria dito, rindo: “pode ir”. Após o episódio, a servidora procurou atendimento médico e foi diagnosticada com transtorno de pânico desencadeada pelo assédio sexual sofrido. Fórum de Segurança Pública mostra que 16% das mulheres foram vítimas de stalking em um ano Convites, poemas e ligações Outra servidora contou que as situações de assédio começaram em 2017 e duraram por anos. Prints de conversas de João Luís Fischer Dias com a servidora, obtidas pelo g1 DF e TV Globo, mostram as tentativas de "forçar uma aproximação de natureza não profissional Reprodução Ela contou que o juiz fazia convites frequentes para tomar vinho, ir a restaurantes ou participar de confraternizações. Segundo o depoimento anexado pela relatora do CNJ, ele dizia que “não precisava levar maridos” e que “as meninas podiam levar biquíni”, o que causava constrangimento no ambiente de trabalho. "No início, quando começou a acontecer, eu acho que até demora um tempo para você entender o que está acontecendo e que você esta naquela situação. [...] Você nunca imagina um assédio dentro do Tribunal, trabalhando com direito, sabendo os direitos que você tem. E acredita menos ainda que e um magistrado que está fazendo isso", disse a mulher em depoimento. Prints de conversas de João Luís Fischer Dias com a servidora, obtidas pelo g1 DF e TV Globo, mostram as tentativas de "forçar uma aproximação de natureza não profissional Reprodução A servidora afirmou que, no início, tentava recusar de forma educada, mas que as investidas ficaram mais insistentes com o tempo. Ela também relatou envio de poemas, músicas, fotos de viagens e mensagens pessoais pelo WhatsApp (veja os prints). Depois de um tempo, ela pediu para sair do gabinete e foi para outro setor. Mesmo assim, as investidas continuaram. A servidora disse que chegou a bloquear o número do magistrado, mas que ele teria ligado para o novo local de trabalho, usando o ramal interno do tribunal. Em uma das ocasiões, o juiz enviou um e-mail para a mulher parabenizando-a pelo novo cargo. Na mesnsagem, ele pedia o e-mail particular dela. "Eu mandei uma mensagem para ele dizendo que, que o meu e-mail particular era para questões particulares, não eram para questões do gabinete, que o que fosse relativo ao trabalho, a gente ia conversar pelo e-mail institucional", contou. De acordo com a denúncia, a mulher bloqueou o juiz, que passou a entrar em contato por outro número. Veja o print abaixo: Prints de conversas de João Luís Fischer Dias com a servidora, obtidas pelo g1 DF e TV Globo, mostram as tentativas de "forçar uma aproximação de natureza não profissional Reprodução "Eu confesso que eu fiquei com muito medo, porque não uma atitude razoável de uma pessoa na posição dele. Naquele dia, depois que eu falei com o meu chefe, mandei uma mensagem para aquele mesmo número que tinha me encaminhado tanto o SMS quanto o WhatsApp, e que estava com a foto do magistrado. Eu escrevi um texto, até grande, dizendo para ele que eu não queria mais contato com ele", contou em depoimento. A conduta foi caracterizada como perseguição. Segundo a relatora do CNJ, o comportamento do juiz "ultrapassou, e muito, os limites da cordialidade ou de uma relação estritamente profissional". Danos psicológicos 'imensuráveis e duradouros' O plenário do Conselho Nacional de Justiça seguiu o voto da relatora, Daiane Nogueira de Lira. A conselheira entendeu que a decisão do Tribunal de Justiça do DF foi proporcional aos fatos constatados. Veja os vídeos que estão em alta no g1 "Os atos praticados pelo magistrado João Luís Fischer Dias formam um conjunto de condutas graves e reiteradas contra múltiplas vítimas, executados com abuso de autoridade e poder, elementos inerentes ao assédio sexual. Os danos psicológicos sofridos pelas servidoras são imensuráveis e duradouros, razão o pela qual a reprimenda na o pode ser branda", diz um trecho da decisão. LEIA TAMBÉM: APÓS DEBATES: CLDF deve votar PL que autoriza uso de terrenos públicos como garantia para empréstimo do BRB 'ALÍVIO', DIZ MÃE: Criança de 1 ano passa por cirurgia complexa para reconstruir pálpebra em hospital do DF Veja mais notícias sobre a região no g1 DF.