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Italiano percorre mais de 10 mil km para intercâmbio gratuito em Itapetininga e relata experiência: 'Cidade cheia de coisas'

Estudante italiano é recebido por família brasileira em Itapetininga Estudar fora do país de origem é o sonho de muitas pessoas. No entanto, deixar a famíl...

Italiano percorre mais de 10 mil km para intercâmbio gratuito em Itapetininga e relata experiência: 'Cidade cheia de coisas'
Italiano percorre mais de 10 mil km para intercâmbio gratuito em Itapetininga e relata experiência: 'Cidade cheia de coisas' (Foto: Reprodução)

Estudante italiano é recebido por família brasileira em Itapetininga Estudar fora do país de origem é o sonho de muitas pessoas. No entanto, deixar a família e recomeçar a rotina, ainda que temporariamente, exige coragem, determinação e disposição para enfrentar novos desafios e aprender com uma cultura diferente. O italiano Lorenzo Picciau decidiu transformar esse sonho em realidade. Aos 16 anos, ele deixou Elmas, na Itália, e percorreu mais de 10 mil quilômetros até Itapetininga (SP) para estudar, vivenciar uma nova cultura e conhecer a rotina de uma cidade brasileira durante um mês. 📲 Participe do canal do g1 Itapetininga e Região no WhatsApp O adolescente chegou ao Brasil em 20 de julho, por meio do programa de intercâmbio Conexão SP, do Governo de São Paulo, que custeou toda a vinda dele ao território brasileiro. Em Itapetininga, o jovem está hospedado na casa de Solange Nunes, que, ao g1, contou que se inscreveu no projeto de forma voluntária. "Eu trabalho na diretoria de ensino de Itapetininga e soube do projeto. Me coloquei como interessada porque acho bem interessante dar essa oportunidade do jovem vir até o outro lado do mundo e conhecer a nossa cidade e poder recebê-lo em casa", comenta. A profissional conta que, ao se inscrever no projeto, pediu ajuda à filha com o inglês, pois acreditava que um estudante canadense seria hospedado pela família. Apesar de saber que poderia receber jovens de diferentes nacionalidades, Solange diz que ficou surpresa ao descobrir que seria a “host family” - família anfitriã - de um italiano. Lorenzo (na ponta direita) comemorando o Dia dos Pais com a família brasileira Arquivo pessoal "O Lorenzo fez uma carta de apresentação para mim ainda morando na Itália. Nela, estava uma foto de Nossa Senhora e ele muito sorridente. Na mesma hora que olhei, sabia que era ele que deveria vir para casa", diz. Quando chegou ao Brasil, o jovem passou os primeiros 15 dias na casa de outra família, enquanto Solange estava viajando com a filha. Ao chegar à casa onde ficaria pelo restante do intercâmbio, Lorenzo foi recebido com uma surpresa preparada pelos familiares: uma máscara moldada a partir do próprio rosto do estudante. A brincadeira provocou risadas e reações de surpresa entre os presentes. Assista ao vídeo no início da reportagem. "Quando ele chegou, estava todo mundo com a máscara. Nós também colocamos faixas da Itália e a bandeira do Brasil na entrada da casa, e chamamos alguns colegas que falam italiano para recebê-lo também. Ele trouxe presentes para todos nós, de uma delicadeza diferenciada", lembra Solange. Apesar do interesse, o "aval final" para Lorenzo vir ao Brasil foi dado pela família biológica. Solange fez uma vídeochamada com os pais do menino, que disseram que ficaram tranquilos depois de perceberem que o jovem estaria seguro com a família brasileira. "Falei para eles que eu o trataria como se fosse meu filho, fazendo todos os gostos e mimando sempre que puder. Disse que aqui era uma cidade bem segura e que ele poderia andar na rua tranquilamente e até ofereci para levar ele à igreja aos domingos, que eu costumo frequentar. Os pais aceitaram", descreve. Solange está cuidando de Lorenzo durante a estadia no Brasil Arquivo pessoal Solange revela que, devido à diferença de idiomas, a comunicação com Lorenzo tem sido diferente, por meio de tradutores on-line constantes, mas está funcionando bem. Durante o período no Brasil, ele chegou a conhecer pontos turísticos da região, como a biblioteca japonesa de São Miguel Arcanjo (SP) e os "itens gigantes" de Itu (SP). "Esses dias ele me trouxe uma nota de dinheiro imensa de Itu. Brinquei que gostaria que fosse em euro e ele deu risada. Ele também apareceu em casa com uma camiseta do São Paulo, mas eu brinquei dizendo que só entra aqui quem torce para o Corinthians [risos]", brinca. 'Itapetininga é bem diferente' Durante entrevista ao g1, Lorenzo contou, em inglês, que conheceu o projeto por meio de um anúncio no aplicativo da escola onde estuda na Itália. Como já tinha o desejo de estudar no exterior e conhecer outro país, decidiu preencher o formulário de inscrição. "Eu apenas enviei um documento tentando ser aceito. Eu vi e achei que seria uma boa ideia tentar. Eu fui aceito e, assim, foram feitos os procedimentos para vir pra cá", compartilha. O estudante afirma que a experiência em Itapetininga está sendo bastante agradável. Ele descreve a cidade como "muito maior" que Elmas, que possui apenas 9,5 mil habitantes. "Itapetininga é bem diferente em comparação com a cidade que eu vivo. Ela é muito maior e 'cheia de coisas', apesar de ser bem menor que São Paulo. A capital é cheia de construções e muita gente andando na rua. Aqui é mais calmo, confortável e eu estou vivendo uma vida perfeitamente normal", descreve. "Acredito que o que mais muda é a forma como as pessoas se comportam. Até os jovens da minha idade são muito calorosos e ficaram muito animados em conversar comigo, em fazer perguntas. Na Itália, as pessoas não são assim. Elas são mais frias", completa. Lorenzo foi recebido calorosamente pela família Arquivo pessoal Segundo Lorenzo, o principal objetivo do intercâmbio é vivenciar a cultura brasileira como se fosse um cidadão do país. Para ele, não é preciso buscar grandes aventuras todos os dias, já que até mesmo a rotina brasileira é bastante diferente daquela que conhece na Itália. "Não estou fazendo nada excepcional, mas estou gostando bastante justamente pela experiência de conhecer a cultura como brasileiro. Estou fazendo coisas normais. Eu acordo, me arrumo, tomo café da manhã e vou à escola. Há muita diferença nas pessoas e na rotina delas. Isso me chama bastante a atenção", detalha. Lorenzo aponta que, durante os 30 dias no Brasil, a principal dificuldade tem sido a língua. A maioria das pessoas não falam italiano na cidade e, mesmo o inglês sendo um idioma que as pessoas conhecem mais, nem todos compreendem perfeitamente. "Em todas as salas que os estudantes estão, sempre há um que fala inglês. Eu faço perguntas e peço ajuda. Se eu não entendo o que estão me falando, eu só pergunto para o aluno que fala inglês explicar para mim. Mas, na maioria das vezes, os professores escrevem na lousa os tópicos que eles estão ensinando", pontua. Na visão de Lorenzo, estudar em Itapetininga é uma experiência que ele levará para toda a vida. Estar em uma comunidade diferente fez com que ele se sentisse menos introvertido e pensasse menos sobre o que as pessoas achariam dele. "Tudo relacionado ao Brasil é uma experiência para vida. Não foi somente um dia que me mudou, porque eu estou vivendo toda uma história em 40 dias. Todas as pessoas que conheci, os lugares que estou visitando. Sou uma pessoa tímida, mas essa experiência fez eu me sentir mais aberto com as pessoas. Já era algo que eu estava tentando, então isso foi um 'empurrão' para mim", conta. Opinião polêmica Nascido na terra das boas massas, Lorenzo é um grande fã de culinária. Contrariando a opinião de boa parte do público brasileiro, ele disse que a única coisa que "desaprovou" no Brasil foram as massas, que, segundo ele, são "cheias de ingredientes". "A comida tradicional brasileira é muito gostosa. A maioria das coisas que eu experimentei eu achei muito boas, inclusive o bolinho de frango. Eu não gostei da comida italiana daqui. Os ingredientes são diferentes e é feito de uma forma diferente da que eu estou desacostumado. Tem muitos ingredientes, eu definitivamente não gostei da textura", relata. LEIA TAMBÉM: Bolinho de frango não é o mesmo de 70 anos atrás, mas ainda conquista moradores de Itapetininga; entenda o que mudou Estudante do interior de SP embarca para intercâmbio na Nova Zelândia e leva escultura de artista local: 'Representa a nossa cultura' Estudante de Itapetininga consegue bolsa para estudar em universidade dos EUA: 'Educação constrói pontes' "Antes de ir embora, quero experimentar o caldo de cana que vende aqui na cidade. Estou sentindo falta de casa, dos meus pais, dos meus amigos. Mas, não estou pensando nisso o tempo todo porque, se eu pensar na saudade de casa, não aproveitarei o suficiente", finaliza. Lorenzo e a família biológica, ainda na Itália Arquivo pessoal Projeto piloto A idealizadora do Conexão SP na Seduc, Lidiane Cirilo, explica que o projeto começou a ser elaborado por meio do contato com parceiros internacionais, com o intuito de trazer alunos estrangeiros. A edição atual, que Lorenzo participa, é considerada um "piloto", ou seja, como um teste para corrigir possíveis equívocos. "Por ser piloto, não pode ter reparto financeiro e é exatamente por isso que as nossas famílias que estão recebendo são voluntárias. Fizemos uma seleção das diretorias do ensino e escolhemos o interior por ter mais segurança pra nós", explica. Ao todo, projeto reúne 31 estudantes por SP Arquivo pessoal Durante a seleção, os dirigentes visitam as famílias para verificar se elas estão de acordo com o que é solicitado pela secretaria. Ao todo, a edição piloto recebeu 31 alunos em diferentes escolas do estado de São Paulo. "Toda a movimentação começou no ano passado. Avançamos e, agora, estamos com irlandeses, canadenses, italianos e neozelandeses desde o dia 17 de julho. O objetivo é completar a mobilidade estudantil dos nossos estudantes. Quando trazemos um aluno de outra cultura para estar imerso aqui, percebemos que esse movimento valorizou muito a cultura local", destaca. Lidiane afirma que, apesar de ser um piloto, o projeto já é considerado bem-sucedido e que uma edição para 2027 já está sendo prevista. Na segunda vez, o período de permanência dos alunos deve ser um pouco maior em comparação ao de 2026. "Queremos colocar de 17 de julho a 25 de agosto no ano que vem. Vamos manter o mesmo período, porque a gente pega o período de férias de muitos deles. Estão em férias de verão, e conseguimos que eles venham para uma adaptação aqui, durante as férias, e depois peguem o início do segundo semestre", finaliza a dirigente. Initial plugin text Veja mais notícias no g1 Itapetininga e Região VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM