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José Luiz Felício Filho: quem é o dono da Voepass indiciado por desastre aéreo que matou 62 pessoas

Desastre da Voepass: quem é José Luiz Felício Filho, dono da companhia aérea O indiciamento de José Luiz Felício Filho pela Polícia Federal marca uma nov...

José Luiz Felício Filho: quem é o dono da Voepass indiciado por desastre aéreo que matou 62 pessoas
José Luiz Felício Filho: quem é o dono da Voepass indiciado por desastre aéreo que matou 62 pessoas (Foto: Reprodução)

Desastre da Voepass: quem é José Luiz Felício Filho, dono da companhia aérea O indiciamento de José Luiz Felício Filho pela Polícia Federal marca uma nova etapa na investigação sobre os responsáveis pelo desastre do voo 2283, que resultou na morte de 62 pessoas em Vinhedo (SP), em agosto de 2024. Segundo as autoridades, o proprietário e presidente da Voepass contribuiu para a tragédia por saber dos problemas da frota e é suspeito de ter reforçado a cultura organizacional de omitir as panes que as aeronaves apresentavam. Ele está entre os 16 apontados como responsáveis ou como pessoas que contribuíram para o acidente, por ação ou negligência. Eles respondem pelo crime de atentado contra a segurança do transporte aéreo. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp O empresário José Luiz Felício Filho ficou 21 dias na UTI de um hospital em Ribeirão Preto, SP coronavírus Covid-19 Reprodução/EPTV 🔎 O atentado contra a segurança do transporte aéreo é previsto no artigo 261 do Código Penal. O crime ocorre quando alguém expõe a perigo uma aeronave ou dificulta, ou impede a navegação aérea. A pena prevista é de 2 a 5 anos de prisão. Se do fato resulta a queda ou destruição da aeronave, a pena passa para 4 a 12 anos. Se houver morte, a pena pode ser aplicada em dobro. Felício Filho é a figura central de uma empresa que, depois ter sido a quarta maior companhia aérea do país em número de passageiros e a mais antiga em operação contínua, enfrentou uma crise sem precedentes. Após o acidente, o empresário centralizou a liderança executiva, demitindo diretores de áreas como manutenção e segurança operacional. Esse movimento ocorreu simultaneamente a denúncias de ex-funcionários sobre uma cultura organizacional que priorizava a disponibilidade da frota em detrimento de alertas sobre falhas técnicas. Em 2025, a Voepass teve o Certificado de Operador Aéreo cassado pela Anac após a detecção de descumprimentos sistemáticos de protocolos de segurança e passou a ter dívidas acumuladas em mais de R$ 400 milhões. Trajetória na aviação José Luiz Felício Filho, presidente da Voepass, empresa aérea de Ribeirão Preto (SP) Divulgação/Voepass Piloto comercial há mais de 30 anos, José Luiz Felício Filho se apresentava como o comandante mais antigo em atividade na Voepass. Sua formação prática começou acompanhando o pai, o fundador da então Passaredo, José Luiz Felício. Em 1995, quando a empresa de transporte aéreo foi criada, ele se encaminhava para o comando de aeronaves, tendo participado ativamente da estruturação da frota original composta por bimotores turboélice Embraer EMB 120 Brasília. Ao assumir a presidência em 2002, acumulou as funções de gestor e tripulante técnico, o que lhe conferia uma visão direta, mas também uma responsabilidade ampliada sobre as condições de voo das aeronaves da companhia. Vida pessoal Neto de imigrantes libaneses, Felício Filho nasceu em um ambiente de transportadores. Ele é um dos herdeiros do grupo fundado por seu pai em Mococa (SP), que iniciou no setor rodoviário antes de migrar para a aviação regional. No âmbito pessoal, o empresário enfrentou um episódio de saúde crítico em 2020, quando passou 21 dias internado em uma UTI devido a complicações graves da Covid-19, chegando a ser entubado. Casado e com três filhos, ele costumava destacar em seus pronunciamentos sua origem e o compromisso com o legado da família, que sofreu um abalo significativo com a morte de José Luiz Felício, pai dele, em 2023. LEIA TAMBÉM Acidente da Voepass: quem são os indiciados pelo desastre aéreo com 62 mortos no interior de São Paulo Acidente da Voepass: PF indicia 16 funcionários e ex-funcionários pela queda que matou 62 Exclusivo: chefe dos pilotos deve ser um dos indiciados por queda de avião da Voepass Exclusivo: caixa-preta de avião da Voepass revela piloto admitindo falha no sistema de degelo: 'Essa b** não tá funcionando' 'Não encerra nossa busca por Justiça', dizem famílias das vítimas após PF indiciar 16 pessoas por queda de avião da Voepass Gestão e ciclos de crise A administração de Felício Filho foi marcada por expansões seguidas de problemas financeiros. Ele liderou a empresa durante um processo de recuperação judicial que durou de 2012 a 2017, período em que a Passaredo renegociou dívidas estimadas em R$ 150 milhões. Em 2019, sob seu comando, a empresa adquiriu a MAP Linhas Aéreas, o que permitiu o acesso estratégico ao Aeroporto de Congonhas e motivou a mudança da marca para Voepass. Apesar da parceria com a Latam, sua gestão acumulou passivos trabalhistas e um descontrole organizacional, que culminou em um novo pedido de recuperação judicial em 2025. 'Não reportar': áudio de ex-piloto mostra rotina para não relatar panes na Voepass Reprodução/EPTV No final de 2025, os credores aprovaram um plano de reestruturação para parte das empresas do grupo, visando quitar débitos trabalhistas e negociar slots aeroportuários. 🔎 Slots: cotas ou horários específicos para pousos e decolagens em aeroportos. O processo de recuperação judicial ainda não foi homologado pela Justiça porque ainda está pendente a apresentação de certidão negativa de débitos, ou seja, o documento que comprova que as empresas não têm pendências com órgãos oficiais. Em paralelo, a Voepass aguarda a análise de um agravo de instrumento para tentar inserir a Passaredo Transportes Aéreos – maior empresa do grupo e com as maiores dívidas – no plano de recuperação e ainda tenta meios de negociar os chamados slots até então com direitos pertencentes à Voepass, mas já redistribuídos pela Anac. O desastre aéreo e as investigações Visão aérea do avião da Voepass após acidente Reprodução O desastre aéreo com o voo 2283 da Voepass, em 9 de agosto de 2024, resultou na morte de todas as 62 pessoas a bordo, quando a aeronave ATR 72-500 caiu em um condomínio em Vinhedo (SP). O acidente, que fazia a rota Cascavel (PR) para Guarulhos (SP), é considerado o mais grave da aviação brasileira desde 2007. As investigações da Polícia Federal e do Cenipa revelaram que a tragédia foi resultado de uma sucessão de falhas meteorológicas, técnicas e operacionais. acúmulo de gelo e falha no sistema: a causa direta da queda foi a perda de controle em voo devido ao acúmulo severo de gelo nas asas, combinado com a inoperância do sistema de degelo. A perícia confirmou que a aeronave decolou com esse sistema sabidamente defeituoso. conduta dos pilotos: durante o voo, a tripulação ignorou três alertas sucessivos de perda de desempenho, não executou os procedimentos de emergência previstos pelo fabricante e não solicitou mudança de altitude para sair da zona de gelo, apesar de conversas na caixa-preta indicarem que se sabia dos problemas. cultura de "não reporte": a investigação identificou uma cultura organizacional na Voepass de omitir panes nos diários de bordo para evitar que os aviões ficassem retidos no solo para manutenção. Tripulações de voos anteriores no mesmo dia detectaram falhas no degelo, mas fizeram apenas relatos verbais aos mecânicos, registrando "nada a declarar" nos documentos oficiais. pressão da gestão: diretores da companhia foram denunciados por pressionar equipes de pista para liberar aeronaves inoperantes e promover comandantes sem a experiência mínima exigida. falha na fiscalização da Anac: o relatório da PF apontou que um inspetor da Anac havia constatado problemas no sistema de degelo dessa mesma aeronave 11 meses antes da queda. A agência conhecia irregularidades na empresa, o que levou a PF a sugerir que o Ministério Público Federal apure a responsabilidade da Anac por atuação insuficiente. Ao final do inquérito, a Polícia Federal indiciou 16 pessoas, incluindo o proprietário da Voepass, José Luiz Felício Filho, diretores de manutenção e segurança, pilotos de voos anteriores e despachantes operacionais. Os crimes atribuídos incluem atentado contra a segurança do transporte aéreo e falsidade ideológica, contra um deles, pela inserção de dados falsos em diários de bordo. Todos os indiciados estão impedidos de deixar o país. Além disso, a PF solicitou a suspensão dos registros profissionais deles junto à Anac. Avião da Voepass na pista do Aeroporto Leite Lopes, em Ribeirão Preto (SP) Marcelo Moraes/EPTV Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão Preto e Franca