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Jovem com melanoma recorre à Justiça por tratamento de R$ 80 mil e mobiliza moradores em campanha: 'Muito apoio'

Moradores fizeram carreata por Coronel Macedo para divulgar campanha de jovem com câncer Uma moradora de Coronel Macedo (SP) diagnosticada com melanoma em est...

Jovem com melanoma recorre à Justiça por tratamento de R$ 80 mil e mobiliza moradores em campanha: 'Muito apoio'
Jovem com melanoma recorre à Justiça por tratamento de R$ 80 mil e mobiliza moradores em campanha: 'Muito apoio' (Foto: Reprodução)

Moradores fizeram carreata por Coronel Macedo para divulgar campanha de jovem com câncer Uma moradora de Coronel Macedo (SP) diagnosticada com melanoma em estágio avançado trava uma batalha na Justiça para ter acesso a um tratamento imunoterápico avaliado em cerca de R$ 80 mil, indisponível no Sistema Único de Saúde (SUS). Em março do ano passado, Maria Eduarda Cardoso Ferreira, de 25 anos, que trabalha como enfermeira, recebeu o diagnóstico da doença, após fazer a biópsia de uma pinta de nascença na sua coxa esquerda. 📲 Participe do canal do g1 Itapetininga e Região no WhatsApp "Eu sempre tive essa pinta, só que ela começou a mudar de forma, cor e tamanho. Como eu sou enfermeira, lá no hospital mesmo onde eu trabalho, a gente resolveu tirar essa pinta para fazer a biópsia. Eu tinha acabado de chegar de um plantão noturno e o laboratório me mandou o resultado da biópsia", relembra. Logo após o diagnóstico, Maria iniciou o tratamento contra o câncer em um hospital de Jaú (SP). Na unidade, passou por duas cirurgias: uma para ampliação das margens e outra para a biópsia de linfonodo sentinela. Com a confirmação de malignidade, a paciente foi transferida para Barretos (SP), onde deu continuidade ao tratamento e se submeteu a novos procedimentos cirúrgicos. O problema do diagnóstico tardio do câncer de pele LEIA TAMBÉM: Jovem que morreu em rio ao tentar salvar namorada também afogada era pai de bebê: 'Coração enorme', diz prima Artista que teve música compartilhada por Emicida nas redes sociais lança álbum com participação do rapper Mãe de jovem morto por amigo em Tatuí comenta condenação: 'Hoje posso dizer ao meu filho para descansar em paz' Jovem de 25 anos conta com apoio da família, amigos e moradores em luta contra câncer em estágio avançado Maria Eduarda Cardoso/Arquivo pessoal Descoberta da gravidez Em Barretos, a jovem ia participar de uma pesquisa clínica para iniciar a imunoterapia, mas o processo precisou ser interrompido após a descoberta de que ela estava grávida. "A gravidez foi tudo bem, mas não estava tentando engravidar. Meu bebê tem dois meses. Foi tudo muito rápido. Como mãe, agora é mais difícil todo esse tratamento. É tudo muito diferente do que era antes", explica. A paciente compartilhou com o g1 os atestados médicos feitos pela cirurgiã oncológica Lorena Luiza Siqueira Marques, do Hospital do Amor, em Barretos. Em novembro do ano passado, quando ainda estava gestante, Maria Eduarda sofreu uma progressão da doença, com o crescimento de linfonodo e a confirmação da malignidade. "Sempre sonhei em ser mãe. Mas, com o câncer, virou medo, tinha medo de acontecer algo comigo e com ele na gravidez por conta da doença. É maravilhoso ser mãe." Conforme os documentos médicos, em fevereiro, ela passou por novos exames de imagem, que apontaram a progressão do câncer em ossos, pulmões, linfonodos e nódulos subcutâneos. Durante o tratamento contra o melanoma, Maria Eduarda descobriu que estava grávida e precisou interromper a medicação Maria Eduarda Cardoso/Arquivo pessoal Tratamento de R$ 80 mil Um atestado emitido no fim de março deste ano, assinado pelo oncologista Caio Augusto Dantas Pereira, indicou que Maria seguia em tratamento para o controle da dor, sem resultados satisfatórios. Na mesma semana, especialistas recomendaram a imunoterapia como alternativa para conter o avanço da doença e ampliar a sobrevida. "O tratamento, eu cheguei a conhecer ele, porque foi apontado pelo meu oncologista, ele que deu a opção. Era a única alternativa que tinha, a quimioterapia não fazia mais efeito e a radioterapia eu já tinha feito", disse Maria. Moradora de Coronel Macedo (SP) não estava planejando engravidar, mas relatou que sempre sonhou em ser mãe Maria Eduarda Cardoso/Arquivo pessoal No documento, consta que, com a medicação indicada para melanoma maligno metastático, o paciente tem possibilidade de resposta favorável, como redução, estabilização e até mesmo o desaparecimento de tumores secundários. No caso de Maria Eduarda, foram indicados os medicamentos inibidores de PD-1 e CTLA-4. Eles retiram o bloqueio que o tumor impõe ao organismo. Ao fazer isso, permitem que as células de defesa voltem a identificar o câncer como algo anormal e passem a combatê-lo. Segundo a paciente, as indicações feitas não são ofertadas ainda pelo Sistema Único de Saúde (SUS). No entanto, os tratamentos já foram aprovados pela Agência Nacional da Vigilância Sanitária (Anvisa). "O tratamento da paciente é urgente, e um tempo precioso foi perdido desde o diagnóstico da doença metastática, por falta de tratamento específico. O melanoma maligno metastático é uma doença de letalidade muito alta, causando risco real de morte a médio e longo prazo. A falta do tratamento correto da doença causa um impacto muito grande no prognóstico e qualidade de vida da paciente", descreveu o oncologista no documento. Segundo Maria Eduarda, não há um número definido de doses para o tratamento indicado, que é mantido até a resposta clínica, a toxicidade do medicamento ou a evolução do quadro. Cada aplicação custa cerca de R$ 80 mil. Para ter acesso gratuito, ela ingressou com uma ação judicial em março deste ano e, atualmente, aguarda a decisão do juiz responsável pelo caso. Além da indicação dos remédios, a paciente faz uso de morfina e dipirona para o controle da dor causada pela doença. Ela permanece em tratamento quimioterápico no hospital de Barretos. O g1 questionou o Ministério da Saúde sobre a incorporação de tratamentos imunoterápicos ao Sistema Único de Saúde (SUS) e também sobre eventuais processos em andamento para ampliar o acesso a terapias destinadas ao melanoma metastático, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem. Mobilização pela cidade Para conseguir seguir com as aplicações da imunoterapia, Maria Eduarda, amigos e familiares iniciaram uma campanha de arrecadação. Segundo a paciente, o valor recolhido também deve auxiliar nos cuidados com o filho e a família. No sábado (11), a rede de apoio que se formou organizou uma carreata de surpresa, como uma forma de prestar apoio à jovem. Os veículos passaram por diversas ruas da cidade, com balões verdes e mensagens de motivação. Ao final, o grupo se reuniu em uma praça e fez uma oração. Assista ao vídeo no início da reportagem. "A batalha contra o câncer é muito difícil. Eu estou tendo muito apoio, graças a Deus. Essa trajetória é mais difícil. Vem sendo um pouco difícil mais para cá, só que agora, com o tratamento da imunoterapia, a arrecadação também está sendo um sucesso. A gente vai conseguir fazer o próximo ciclo", compartilhou. Amigos e familiares de Maria Eduarda organizaram uma carreata em apoio à jovem no tratamento contra o câncer Maria Eduarda Cardoso/Arquivo pessoal A ideia da carreata partiu da amiga de Maria, Carol Loureiro. As duas se conheceram há cerca de sete anos. "A gente se conheceu porque meu padrasto é tio dela, e, durante cinco anos de faculdade, pegávamos ônibus juntas. Não éramos melhores amigas, mas sempre tivemos convivência. Desde o começo, eu via nela algo diferente, sempre achei a Duda uma pessoa muito especial, educada, daquelas que transmitem paz", conta Carol. Durante a organização da carreata, Carol contou com o apoio e organização dos amigos, familiares e moradores da cidade. Segundo a amiga, o número de pessoas participantes superou as expectativas. "O motivo foi demonstrar apoio, amor e mostrar que ela não está sozinha nessa luta. É muito difícil ver alguém próximo passando por tudo isso. Dá um aperto no coração, mas, ao mesmo tempo, ela tem mostrado uma força que inspira todos nós", relatou Carol. Para Carol, foi difícil o momento do diagnóstico de Maria Eduarda. Ela tem buscado apoiar a amiga em tudo o que pode. "Seja estando presente, ajudando nas campanhas, organizando ações ou simplesmente dando força e orações. Às vezes, um abraço ou uma palavra já fazem diferença." Além de ajudar em outros momentos, Carol também participa das campanhas, divulgações e doações, ajuda a organizar os eventos beneficentes e incentiva outras pessoas a contribuírem com a arrecadação dos valores. "Esses dias mesmo falei com ela que talvez eu não seja a melhor amiga dela, mas estou me sentindo como uma irmã. Ela é uma pessoa incrível, cheia de luz, força e amor. Acredito muito que existem coisas que acontecem para unir as pessoas, nada é por acaso, tudo tem um propósito." Os interessados em contribuir com a campanha de Maria Eduarda podem entrar em contato pelas redes sociais. Nem sempre são fáceis de identificar O melanoma quase sempre surge como uma lesão cutânea enegrecida, ou com uma parte enegrecida e áreas de coloração irregular. A regra do ABCDE ajuda a identificar sinais suspeitos: Assimetria: a forma de uma metade do sinal não corresponde à outra metade. Bordas irregulares: bordas entalhadas, mal definidas ou mal delimitadas. O pigmento pode se espalhar para a pele ao redor. Cor desigual: tons de preto e marrom podem estar presentes, mas também áreas de branco, cinza, vermelho, rosado ou azul. Diâmetro: há uma mudança no tamanho, geralmente um aumento. Os melanomas podem ser pequenos, mas a maioria tem mais de 6 milímetros de diâmetro. Evolução: há mudanças de cor, tamanho, forma e espessura ao longo do tempo. Initial plugin text *Colaborou sob supervisão de Larissa Pandori Veja mais notícias no g1 Itapetininga e Região VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM