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Santa que 'salvou' exército brasileiro há mais de 200 anos na fronteira com a Bolívia tem celebração com troca de manto e churrascada gratuita

Festa de Nossa Senhora do Carmo, no Forte Coimbra Moradores, militares e visitantes participaram nesta quinta-feira (16) das celebrações em homenagem a Nossa ...

Santa que 'salvou' exército brasileiro há mais de 200 anos na fronteira com a Bolívia tem celebração com troca de manto e churrascada gratuita
Santa que 'salvou' exército brasileiro há mais de 200 anos na fronteira com a Bolívia tem celebração com troca de manto e churrascada gratuita (Foto: Reprodução)

Festa de Nossa Senhora do Carmo, no Forte Coimbra Moradores, militares e visitantes participaram nesta quinta-feira (16) das celebrações em homenagem a Nossa Senhora do Carmo, padroeira de Forte Coimbra, distrito de Corumbá localizado a cerca de 120 quilômetros da área urbana do município, às margens do Rio Paraguai, em uma região de fronteira com a Bolívia. A programação contou com alvorada festiva, café da manhã comunitário, missas, procissão, troca do manto da santa e o tradicional churrasco pantaneiro. Mas, além da devoção religiosa, a festa chama a atenção por uma curiosidade preservada há gerações pela comunidade: a mesma imagem de Nossa Senhora do Carmo venerada atualmente na capela da Vila Civil é apontada por relatos históricos e pela tradição local como protagonista de episódios considerados milagrosos durante conflitos militares nos séculos XIX. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp Erguido em 1775 por determinação da Coroa Portuguesa para reforçar a defesa da fronteira oeste, o Forte Coimbra se tornou um dos principais símbolos da ocupação e da proteção do território brasileiro no Pantanal. Tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 1975, o monumento preserva uma trajetória marcada por batalhas históricas e pela presença permanente do Exército. Nesse contexto, a devoção à santa passou a fazer parte da identidade do local. Segundo registros históricos, em 1801 a fortificação resistiu ao avanço de tropas espanholas muito superiores em número. Enquanto cerca de 600 soldados inimigos, apoiados por embarcações e 30 canhões, cercavam a posição brasileira, a defesa contava com apenas 110 militares, cinco canoas e três peças de artilharia. A tradição relata que, após nove dias de resistência, a retirada dos espanhóis teria ocorrido depois da aparição da imagem de Nossa Senhora do Carmo na entrada do forte. O episódio é considerado o marco inicial da devoção à padroeira entre os moradores e militares da região. Décadas depois, durante a Guerra do Paraguai, a santa voltou a ser associada à proteção da guarnição. Em dezembro de 1864, cerca de 3,2 mil soldados paraguaios cercaram o forte, defendido por apenas 149 brasileiros. Relatos preservados pela comunidade indicam que, após dois dias de combate, um soldado exibiu a imagem de Nossa Senhora do Carmo diante dos invasores. A partir daquele momento, segundo a tradição local, o ataque foi interrompido, permitindo que os sobreviventes deixassem a fortificação. Até hoje, a imagem atribuída ao militar e engenheiro Ricardo Franco de Almeida Serra, fundador e primeiro comandante do Forte Coimbra, permanece na capela da Vila Civil. O espaço reúne ex-votos deixados por fiéis ao longo das décadas, como joias, fotografias, cédulas e condecorações militares, depositados em agradecimento por graças alcançadas. Fé, memória e tradição A festa integra o calendário turístico e cultural de Corumbá e conta com apoio da Prefeitura, por meio da Fundação da Cultura. TV Morena As comemorações começaram nas primeiras horas da manhã e reuniram pessoas de diferentes partes da região pantaneira. Um dos momentos mais simbólicos foi a troca do manto de Nossa Senhora do Carmo, tradição que mobiliza moradores da vila, devotos vindos de Corumbá, turistas e integrantes do Exército que atuam na fronteira. A celebração mistura elementos religiosos, culturais e históricos. Ao contrário de muitas festas de padroeiros, a celebração em Forte Coimbra acontece em um cenário onde a história militar e a religiosidade caminham juntas há mais de dois séculos. A devoção à Nossa Senhora do Carmo é mantida por gerações de moradores e também por militares que passaram pela fortificação ao longo da história. Localizado em uma área estratégica às margens do Rio Paraguai, o Forte Coimbra mantém forte ligação com a presença militar, característica que se reflete na própria festa da padroeira. Segundo a tradição preservada pela comunidade, Nossa Senhora do Carmo representa não apenas a fé dos moradores, mas também a memória dos episódios que marcaram a história do forte. Por isso, a celebração reúne anualmente devoção, patriotismo e sentimento de pertencimento em um dos patrimônios históricos mais importantes de Mato Grosso do Sul, onde a tradição religiosa se confunde com a própria história da defesa da fronteira brasileira. A festa integra o calendário turístico e cultural de Corumbá e conta com apoio da Prefeitura, por meio da Fundação da Cultura. Veja vídeos de Mato Grosso do Sul: